EU QUEM EU SOMOS

Coletivo Cosmogônico lança o seu quarto espetáculo, “eu quem eu somos”

Como um feed de notícias, monólogo do ator Ricardo Baggio trata de extremismo, preconceito, greve dos caminhoneiros, tinder, regime militar e outros temas da atualidade

O SOLO O monólogo “eu quem eu somos” surgiu da necessidade de expressar, discutir, questionar e construir, diante do atual cenário de falta de escuta e diálogo e das diversas crises em curso. Política. Econômica. Simbólica. O próprio sujeito em crise, atravessado pela explosão dos lugares de fala, das multipresenças da era cibernética, os tensionamentos político-partidários e assim por diante. Este emergente ambiente feroz e polarizado, de gritos e rompimentos, emancipação e enfrentamentos, nos trouxe à tona facetas de Brasil que desconhecíamos, ou que insistíamos em invisibilizar. "eu quem eu somos" procura colocar em cena discussões da atualidade sobre gênero, polarização política, lugar de fala, privilégios, extremismo. Sua estrutura dramatúrgica é inspirada num feed de notícias, composto de fragmentos de personagens, falas retiradas de conteúdos viralizados nas redes sociais, músicas, vinhetas, poesias, áudios, stories, posts, etc. Um único ator, solitariamente, que assina o texto da peça e propõe ao espectador compartilhar esta coleção de imagens que aponta as suas próprias questões, como as de nosso tempo. Um tempo de enfrentamento, mas também de empoderamento, de atrito que destrói, mas também desvela outros cenários possíveis, que ainda precisam ser descortinados. Esta é a quarta montagem do Coletivo Cosmogônico (RJ), surgido no curso direção teatral da UFRJ, em 2014, no ambiente de pesquisa e trabalho colaborativo. Atuação e texto de Ricardo Baggio, com a direção de João Bernardo Caldeira, membros fundadores da companhia. Nesta nova etapa, que foi construída em um ano e meio de processo, mantém-se a detida investigação sobre as ações psicofísicas, desenvolvida por Constantin Stanislávski e continuada por Jerzy Grotowski.

QUEM SEREMOS E QUEREMOS SER por João Bernardo Caldeira

Já não é possível nos posicionarmos dentro de lógicas totalizantes e molares, sistemas binários e fixos, organismos fechados. A proliferação de subjetividades, tanto as nossas como as do outro, nos coloca num permanente desafio de compreender como podemos navegar nas águas da multiplicidade e da desfronteirização. O fluxo e o trânsito nos dão a possibilidade de abolir fronteiras que desejávamos abolir, projetar outras construções de mundo, mas também trazem consigo os devaneios e desvios dos relativismos e esteticismos, apartados dos desafios atuais. No campo da arte, é tentador, como já é possível observar ao redor, aderir a uma espécie de estética da morte, do fim e da destruição, que tende a mimetizar experiências anteriores da história teatral, o estado de total decomposição, o Absurdo, o panorama beckettiano da incomunicabilidade. Lembremos que já foram quebradas e hibridizadas as hierarquizações entre gêneros e estruturas dramáticas e entre vida e arte: "obra de arte total", distanciamento brechtiano, pós-dramático, hieróglifo artaudiano, performatividade, teatro do real... Num mundo expandido e abissal, multiplicado ao infinito, também são diversos os caminhos que nos levam aos conteúdos que desejamos acessa e deslocar. Mais do que nunca, somos convocados a olhar para essas realidades com viés propositivo. Escutar, ecoar e responder aos chamados das ruas, os lugares de fala, os empoderamentos, os conteúdos ainda solapados. Se já não é possivel constituir utopias e discursos universais, se estamos mais uma vez diante de vazios, pessimismos e fins de tempos, o que, nisso tudo, pode nos apontar outras linhas de fuga? Aonde seria possível identificar o que ainda temos a chance de nos tornar? De nosso devir e potências atuais, o quê pode nos apontar o que seremos ou que poderíamos ser no futuro? No caso de um monólogo, há o duplo movimento, de negação e de homenagem à linguagem dramática. Tanto ressaltamos o seu viés anti-ilusionista por natureza (um ator, nunca um personagem), como a profunda homenagem ao ofício teatral, em que um único ator (o palhaço, a comedia dell’arte, o teatro de rua, o teatro pobre de Grotowski...) projeta mundos e fundos com um simples olhar, uma virada de luz, trilha e personagem. Solitário, desnudo e confinado à ausência de diálogo, este ator experiencia o nosso próprio estágio de impossibilidade, o nosso próprio estágio de "eu quem eu somos", em eterno vaivém entre pergunta e resposta. Esfacelado em mil pedaços, on-line, full time, sob os escombros de centenas de milhares de bytes e algoritmos flutuantes do espaço sideral global, que entopem a nossa caixa de mensagens.

DIRETOR Mestre em Artes da Cena e graduado em Direção Teatral e Comunicação, pela UFRJ, João Bernardo Caldeira é diretor, professor e produtor teatral, autor e jornalista. Dirigiu os espetáculos “A Morta” (Oswald de Andrade), “Avenida Central” (vencedor do Viva à Cultura! Programa de Fomento da Prefeitura do Rio 2015) e “Atafona O Fim”, realizados pelo Coletivo Cosmogônico (RJ). É autor e produtor do espetáculo “Funk Brasil – 40 Anos de Baile”, vencedor de prêmios como Funarte de Teatro Myriam Muniz 2012. É colunista do jornal Valor Econômico e pós-graduando em Gestão Cultural pelo Itaú Cultural e Universidade de Girona. Produziu ainda os espetáculos “A Bruxinha Que Era Boa” (vencedor do Programa de Fomento à Cultura Carioca 2013), “Os Ruivos” (que circulou por 10 Estados), “A Natureza do Olhar” (com Elisa Lucinda e direção de Amir Haddad) e “Agora É Tempo” (vencedor do Programa Petrobras Distribuidora 2013). No cinema, foi produtor e assistente de direção dos longas “História de Alice” e “Pampulha” (dirigidos por Oswaldo Caldeira). ATOR/AUTOR Ricardo Baggio é ator carioca formado em Bacharelado em Teatro (2017) e no Curso Profissionalizante de Formação de Ator (2015), ambos cursados no Instituto CAL de Arte e Cultura. Estuda teatro desde os cinco anos de idade e acumula em sua trajetória trinta espetáculos como ator (peças de autores renomados, obras originais, musicais, saraus de poesia e processos colaborativos). Integrou as companhias teatrais Cia. Maria Lucia Priolli, o Grupo TACA, o Grupo Quarta Parede residido na Cia. de Teatro Contemporâneo e integra atualmente o Coletivo Cosmogônico. No audiovisual atuou em seis curtas-metragens e em um videoclipe. Trabalhou com muitos diretores, entre eles, Isabela Leal, Celina Sodré, Bruce Gomlevsky, João Bernardo Caldeira, Andrea Bacellar, Anderson Aníbal e Amir Haddad. O monólogo “eu quem eu somos” é o primeiro espetáculo profissional que Ricardo Baggio assina. Porém, em sua história, foi um dos autores da prática de montagem “Cabaret Voltaire” com direção de Adriana Maia no Instituto Cal de Arte e Cultura (2016). Ricardo Baggio também é um dos autores do espetáculo “A Balada”, com estreia prevista para o segundo semestre de 2019, onde também assinará a direção junto ao ator e diretor Gabriel Contente. BRUCE GOMLEVSKY FALA SOBRE O ATOR “Conheci Ricardo Baggio em 2015 por ocasião de sua formatura na CAL, quando tive a oportunidade de dirigi-lo no espetáculo “Ricardo III Está Cancelada” de Matéi Visniec. Ricardo Baggio se destacou como ator na montagem por seu talento, disciplina e imensa criatividade”. O COLETIVO E A PARCERIA O monólogo “eu quem eu somos” é o quarto trabalho do Coletivo Cosmogônico e o terceiro trabalho que marca a parceria do diretor João Bernardo Caldeira com o ator e autor Ricardo Baggio. O coletivo também tem em seu repertório as peças “A Morta”, de Oswald de Andrade (2016), “Avenida Central”, baseada na obra de João do Rio (2016) e “Atafona O Fim” construída a partir de relatos do povoado de Atafona (RJ), que vem sendo engolido e destruído pelo mar (2017).

SINOPSE Uma juíza que defende o regime militar, uma mãe de um filho gay, um marido machista, o manual de um extremista, um policial da greve dos caminhoneiros, os depoimentos de sobreviventes de desastres ambientais. Como um vasto feed de notícias, o monólogo “EU QUEM EU SOMOS”, quarto trabalho do Coletivo Cosmogônico, perpassa fragmentos de personagens, vinhetas, textos das redes sociais, músicas e poesias. Em comum, esta multiplicidade de pontos de vista e lugares de fala, campos de tensão e (falta de) diálogo, próprios da atualidade.

 

SERVIÇO EU QUEM EU SOMOS

Solar de Botafogo // Sala Espaço 2 R. Gen. Polidoro, 180 - Botafogo, Rio de Janeiro - RJ, 22280-003

Sextas-feiras de Maio (dias 3, 10, 17, 24 e 31), 20H

Inteira 40 / Meia 20 / Lista Amiga 20 / Pessoal 15 / Promocional 10 / Ultrapromocional 1 real/

Texto e Atuação: Ricardo Baggio Direção: João Bernardo Caldeira Duração: 80 min.

Classificação Indicativa: 12 anos

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FICHA TÉCNICA Texto e Atuação: Ricardo Baggio Direção: João Bernardo Caldeira Dramaturgia: João Bernardo Caldeira e Ricardo Baggio Iluminação: Gabriel Prieto Trilha Sonora: Pedro Botafogo Preparação Corporal: Caroline Ozório Figurino: Coletivo Cosmogônico Operadora de luz: Natali Barbosa Design Gráfico: Bianca Oliveira Direção de Produção: Ricardo Baggio e João Bernardo Caldeira Duração: 80 min Classificação: 12 anos ASSESSORIA DE IMPRENSA SÃO BERNARDO COMUNICAÇÃO euquemeusomos@gmail.com (021) 9 8657-6447

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