Arquiteto: Maurício Prochik

Presente em cinco edições do evento Casa Cor, Maurício Prochnik assina, entre outras, a obra de acesso mecanizado ao Cristo Redentor, a restauração do prédio que abriga a biblioteca do Itamaraty e o projeto de Som e Luz do Museu Imperial de Petrópolis. Para os camarins do Solar de Botafogo, Prochnik procurou aliar funcionalidade e versatilidade, criando um espaço que pode ser utilizado tanto para a acomodação dos atores no momento em que se preparam para entrar em cena e logo depois que o pano se fecha, quanto para abrigar aulas e ensaios – especialmente os chamados “ensaios de mesa”, fase em que diretor e elenco se dedicam à leitura e à decupagem do texto.  Um salão de 35 m2, com assoalho de tábua corrida de ipê, garante ampla circulação do elenco e a eventual introdução de mobiliário adicional. Com a periferia do teto em gesso acartonado e a parte central revelando o verso das quarteladas do palco, os camarins cumprem também a função de porão do teatro. Ou seja, sempre que um ator ou um objeto precisar irromper em cena por algum ponto do palco, a passagem se dá através do teto dos camarins. Duas grandes bancadas de melamina, com espelhos circundados por lâmpadas seqüenciais e um gaveteiro volante, servem de base ao ritual cotidiano de maquiagem e “demaquiagem” pelos atores. Numa das bancadas, um espelho deslizante oculta ou revela o monitor de plasma de 42 polegadas através do qual os atores podem acompanhar em tempo real o que está se passando no palco, podendo prever com segurança a sua entrada em cena. Um armário embutido sob esta mesma bancada guarda uma aparelhagem de som e um DVD, para utilização em aulas e ensaios.

Um armário generoso em dois módulos, ambos revestidos de vidro pintado, serve para acondicionar tanto roupas e figurinos quanto um pequeno escritório, equipado com uma superfície de trabalho e um laptop de última geração. Duas salas de banho completas (uma para os atores, outra para as atrizes), uma área extra de lavatório aberta para circulação, e uma escada com duas vias de acesso ao palco, completam o ambiente, cuja porta de entrada, fronteiriça ao café-concerto, recebeu tratamento acústico para impedir o vazamento de som e preservar a concentração dos atores.  Em tempo: os móveis dos camarins de Prochnik foram especialmente desenvolvidos pela FAVO.